8 de Março

Muitas são as formas utilizadas para prestar homenagens, pela passagem do Dia Internacional da Mulher, amanhã.

Inúmeros seminários, congressos, simpósios, celebrações, concentrações, caminhadas, passeatas, debates, manifestações de matizes distintos, buscando fortalecer a luta pela dignidade da mulher, pelo respeito à sua dignidade de companheira lado a lado, e não abaixo nem acima. Ainda persistem tantas manifestações de dominação masculina de homens e também de mulheres, de imposição, de opressão, de intolerância, de incompreensão, de diminuição, de silenciamento, de eliminação, e tantas outras formas de violência que destroem e negam o grande desejo do Criador: “Criou-os a sua imagem e semelhança. E criou-os homem e mulher”.

Tanta coragem que é necessária para denunciar, protestar, exigir o direito de decidir sobre si, sobre sua vontade, seu corpo e sua sexualidade, sobre sua visibilidade e autonomia! Quanta coragem reunir no caminho do “tornar-se mulher”, como diz Simone de Beauvoir!

Parabéns pela insistência e persistência nessa luta, para tornar este mundo mais humano, de mulheres e homens que nâo se aniquilam e nem se inimizam, mas se constroem e reconstroem o tempo todo, favorecendo e fortalecendo a livre circulação da seiva vital do amor compartilhado!

Completando a homenagem, um texto da pastora Nancy Cardoso, publicado no boletim notícias do CEBI.

(R.Thiel)

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No dia 8: luta e indignação

Nancy Cardoso Cebi – 06/março/12 (Nancy Cardoso Pereira é pastora metodista e colaboradora do CEBI. É autora de À procura da Moeda perdida e de Remover pedras, plantar roseiras, fazer doces)


Dia de luta dos movimentos internacionalistas de mulheres, o 8 de março nunca foi um dia fácil de engolir! Entre o fim de fevereiro e o começo de março as mulheres socialistas dos inícios de 1900 na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos celebravam seu dia de luta a partir de acontecimentos importantes: greves, manifestações, enfrentamentos!

Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

O que elas queriam? O que nós queremos?

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Sul do Amazonas – o reinado da pistolagem!

A grilagem de terra corre solta! A derrubada ilegal e roubo de madeira não tem freio! Além de outras agressões à natureza na região. Na região de Lábrea, das mais conflitivas no sul do Amazonas, funcionários do INCRA são ameaçados e impedidos de trabalhar, lideranças populares e sindicais que lutam em defesa da terra, da floresta, estão na lista dos “marcados para morrer”, e mortas com frequência, sem que ninguém tome medidas eficazes para proteger a vida dos que têm os dias contados, por força da “lei do gatilho”, que continua imperando na região. Onde está o Estado para garantir o direito de viver? Um depoimento…

“Em junho de 2010, durante vistoria no assentamento Gedeão, sul do Amazonas, a líder Nilcilene Miguel de Lima foi agredida na frente de uma funcionária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Isso aconteceu enquanto ela mostrava um desmatamento dentro do assentamento. Surpreendida por um pistoleiro, Nilcilene levou socos, chutes e tapas no ouvido que lhe tiraram parte da audição. A funcionária do Incra tentou intervir e levou um soco no peito. As duas correram para o carro e fugiram. Nilcilene foi para a delegacia mais próxima fazer boletim de ocorrência e de corpo de delito. A funcionária do Incra voltou para Manaus e pediu transferência. O agressor e o desmatador nunca foram punidos”.

Veja o apelo veemente de Nilcilene, que sabe de seu destino, o mesmo de dezenas/centenas de lideranças comunitárias e defensoras da floresta. Até quando esse tipo de criminosos continuarão reinando impunes?  Quando serão tomadas providências enérgicas e efetivas? Quando for tarde demais? Quem vai fazê-lo? O que nós podemos fazer de imediato para ajudar a salvar a vida de Nilcilene (Lábrea – Amazonas), de Laísa (irmã de Maria do Espírito Santo, e cunhada de José Cláudio, casal de extrativistas assassinados em 2011, em Nova Ipixuna – Pará)?

Seguem um vídeo e um texto para ativar a reflexão.

(R.Thiel)

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Reportagem de Ana Aranha, de A PÚBLICA – AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO.

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Sul do Amazonas: Nilcilene, com escolta e colete à prova de balas: ‘eles vão me matar’

Publicado em março 2, 2012 por HC em Eco Debate

Liderança na Amazônia ganha proteção da Força Nacional, mas vive acuada por ameaças. À sua volta, madeireiros e grileiros seguem livres.

– Nesse rio aqui também apareceu um morto, levou 13 dias para virem retirar o corpo. A gente espantava os urubus com uma palha.

Com colete à prova de balas, chacoalhando no banco de trás da viatura da Força Nacional de Segurança, essa é a quarta vez que a produtora e líder rural Nilcilene Miguel de Lima aponta lugares onde encontrou corpos furados a bala nas estradas do sul de Lábrea, município do Amazonas. “Já teve vez que não apareceu ninguém para buscar. O povo enterrou por aí mesmo”.

É fim de tarde. A viatura tem que chegar na casa de Nilcilene antes do escurecer, onde dois policias passam a noite em vigília. Alguns quilômetros antes do destino, ela se agita ao ver uma picape azul no sentido oposto da estrada: Continuar lendo

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A passagem de Deus pela América Latina.

Jon Sobrino, teólogo espanhol, vivendo há muitos anos na América Central, mais precisamente em El Salvador, neste artigo brinda os leitores com uma valiosa reflexão sobre a passagem de Deus pela América Latina, com destaque para os grandes momentos desde Medellin, passando por Puebla até o caminhar das comunidades (igrejas) nos dias atuais. “Como será a passagem de Deus pela América Latina e com quem passará?” É uma das questões que Sobrino pontua no artigo que segue. (R.Thiel)

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Artigo de Jon Sobrino

“Como será a passagem de Deus pela América Latina e com quem passará, está por se ver, e em suma é coisa de Deus. Mas é coisa nossa desejá-la, trabalhar para isso, e aprender de como aconteceu no passado em torno de Medellín”, escreve Jon Sobrino, em artigo publicado no sítio espanhol Eclesalia, 23-02-2012. A tradução é do Cepat.

Jon Sobrino é teólogo espanhol radicado em El Salvador, sobrevivente da chacina que, em novembro de 1989, dizimou a vida de seis jesuítas e duas funcionárias da Universidade Centro-Americana (UCA). É autor de vários livros, entre os quais, Fora dos pobres não há salvação (Paulinas, 2008), Cristologia a partir da América Latina (Vozes, 1983); Jesus, o Libertador: a história de Jesus de Nazaré (Vozes, 1994).

Eis o artigo.

Os dez anos que se passaram entre Medellín (1968) e Puebla (1979) foram únicos na época moderna da Igreja católica na América Latina. Depois começou um declive ao qual Aparecida (2007) quis colocar um freio, embora até agora reste muito a ser feito.

Ao fazer este juízo, não nos fixamos na Igreja assim como é analisada pelos sociólogos, mas na “passagem de Deus”. Sem dúvida, é mais difícil calibrar, mas toca a dimensão mais profunda da Igreja, e a serviço de que deve estar. Em suma, qual a sua contribuição para os seres humanos e para o mundo como um todo. E, obviamente, é preciso se perguntar “que Deus” é que passa pela história em um dado momento. Continuar lendo

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Milton Schwantes: Um profeta que nos deixa, mas continua sempre conosco

O Brasil, o CEBI, as Comunidades Eclesiais de Base, o Ecumenismo… perdem um grande irmão de caminhada. Faleceu no dia de ontem, 1° de março, o biblista Milton Schwantes um grande companheiro da causa do Reino de Deus, defensor do direito dos pobres. É uma das principais referências do método de leitura popular da Bíblia na América Latina e autor de diversos livros, alguns traduzidos em espanhol, alemão e inglês. Sua tese de doutorado: A Teologia e o Direito dos Pobres, publicada em alemão.

(Renato Thiel) Continuar lendo

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CEBs: nos trilhos da profecia e da justiça

Frei Gilvander Luiz Moreira

Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA/BH e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina
Texto publicado originalmente em Adital – 22.02.12

No ano dos 50 anos do Concílio Vaticano II, rumo ao 13º Intereclesial das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base – no Ceará, em Crato, atual estação central do trem das CEBs, aconteceu de 23 a 26 de janeiro de 2012 mais um Seminário Nacional das CEBs, com o tema: Justiça e Profecia a serviço da vida, e o lema: CEBs, romeiras do reino no campo e na cidade.

Foi uma beleza a convivência fraterna, a reflexão, a visita ao Caldeirão do beato Zé Lourenço e os fachos de luzes acesos para guiar a marcha do trem das CEBs rumo ao 13º Intereclesial de CEBs que acontecerá de 7 a 11 de janeiro de 2014 em Juazeiro do Norte, CE, terra do padre Cícero e do povo resistente como juazeiro e mandacaru.

Do Seminário das CEBs participaram mais de 100 assessores/ras e representantes das CEBs de todos os estados do Brasil. Durante o Seminário, vi e ouvi muitas belezas espirituais e proféticas. Abaixo, farei referências a algumas.

Em 1984, enquanto eu fazia o noviciado dos frades Carmelitas, no Pernambuco, fomos de pau-de-arara, de Camocim de São Félix, PE, ao Juazeiro do Norte, CE, para conviver com o povo devoto do Padre Cícero durante uma semana. Foi um banho de religião popular que mexe nas cordas mais profundas do humano do povo simples. Passaram-se 28 anos e, eis-me, novamente passando por Juazeiro do Norte. A primeira coisa que me chamou a atenção é o quanto a cidade cresceu e está em franco desenvolvimento, “só para uma minoria”, me alertaram. Transito já ficando caótico. Carretas lotadas de automóveis, faculdades, lojas de transnacionais, shopping etc. Continuar lendo

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A década da educomunicação?

Ao discorrer sobre Educomunicação como um conceito vangurda, típico da última década (2001-2011), o autor mostra que essa discussão, liderada pela USP, “já existe desde a década de 1950, por meio das comunidades eclesiais de base. E só em 2001 passaram a frequentar as salas de aula nas pós-graduações…” (Por Alexandre Mascarenhas)

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A década da educomunicação?

por Alexandre Sayad, do Portal Aprendiz

Em dezembro de 2011, a Universidade de São Paulo (USP) organizou, como já tem virado um costume, o III Simpósio Brasileiro de Educomunicação, que reúne profissionais e pesquisadores da interface entre a educação e comunicação de diversas partes da America Latina. Participei de uma mesa de debates cujo título chamava a atenção para a década da educomunicação que se fechava (2001/2011), que teria começado quando a USP começou a sistematizar esse novo campo, assim chamado por eles, e a sociedade civil, em organizações como as que compõem a Rede CEP, iniciado a disseminação da prática Brasil afora. Continuar lendo

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Carlos Mesters

Homenagem a Carlos Mesters pelos seus 80 anos de vida – CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) Continuar lendo

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Conquista da Líbia inicia a recolonização da África

Ótimo texto para aumentar o leque de reflexão sobre o caso da Líbia.

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Conquista da Líbia inicia a recolonização da África

por Alejandro Rivera –  In 80grados –  4 de Novembro de 2011

Tradução do texto em espanhol: Renato Thiel – UCB

 Mediante uma grande campanha publicitária, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), anunciou o fim de sua campanha militar na Líbia. Deixa para trás uma operação militar iniciada em 19 de março, em que aviões da OTAN levaram a cabo mais de 26.500 saídas, entre elas, 9.700 missões de ataque e bombardeio, em que se estima que o número de mortos superou a cifra de 50 mil.

Concluídas ditas operações militares, através do Conselho Nacional de Transição se inicia a nova recolonização imperialista  deste vasto e rico território do Norte da África, o qual já se denomina o novo “Consórcio Euroamericano” (ou “Euroestadunidense”! – adaptação do tradutor) Continuar lendo

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Abandono do Método ver-julgar-agir

A leitura do texto “Abandono do método ver-julgar – agir” do Professor José Lisboa nos deixa uma questão: Quão caro a Igreja irá pagar pelo abandono desse método?

As CEBs por sua vez fazem a utilização deste método Ver – julgar – Agir e ainda acrescenta outros dois mais Avaliar e Celebrar.  A igreja para dar respostas às novas questões do mundo contemporâneo precisa ouvir o seus fiéis, mesmo os destoantes, para ai sim julgar e agir.

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José Lisboa Moreira de Oliveira

Filósofo, teólogo, escritor e professor universitário

 

Dias atrás, ao escrever sobre o cinquentenário da Mater et Magistra, lembrei que o papa João XXIII, definiu como o melhor método para a formação nos princípios da justiça social aquele que depois foi consagrado pela Igreja latino-americana: conhecer a situação concreta, examinar essa realidade à luz da Palavra e da doutrina da Igreja e, por fim, agir “de acordo com as circunstâncias de tempo e de lugar” (MM, 236). Lembrava ainda que o “papa buono”, neste mesmo parágrafo da encíclica definia tal método como ver, julgar, agir. Salientava que, segundo o papa, é necessário “que os jovens, não só conheçam esse método, mas o empreguem, concretamente, na medida do possível, a fim de que os princípios adquiridos não permaneçam para eles no campo das ideias abstratas, mas sejam traduzidos na prática” (MM, 237).

Em meu artigo afirmava que um dos sinais mais evidentes do inverno tenebroso da atual Igreja, especialmente aqui na América Latina, é o aborto progressivo deste método. Documentos recentes dos episcopados e das Igrejas locais revelam a intenção premeditada de enterrar definitivamente este precioso legado consagrado por um documento tão valioso do Magistério da Igreja.

O sepultamento do método ver-julgar-agir começa aqui na América Latina com as Conclusões de Santo Domingo, no início da década de 1990. Daí para cá os documentos oficiais foram abandonando-o progressivamente. O mais recente exemplo disso pode ser encontrado nas Diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas em maio passado. Continuar lendo

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A visão de Edgar Morin sobre Ética

A discussão sobre o novo contexto da complexidade nos impõe, em primeiro lugar, a compreensão acerca do conceito desta palavra. Etimologicamente, segundo Morin (2006, p. 13), complexidade deriva de complexus (o que é tecido junto), quer dizer, “ela é um tecido de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas – o paradoxo do uno e do múltiplo”. E logo após, a complexidade passa a ser, efetivamente, “um tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico”. O próprio Morin (2006) assume, enfim, que deparamos com múltiplos desafios e dificuldades quando buscamos efetivar o pensamento complexo – “a principal dificuldade é que se deve enfrentar o emaranhado (o jogo infinito das inter-retroações, a solidariedade dos fenômenos entre eles, a bruma, a incerteza, a contradição)”.

É neste cenário de um novo paradigma, típico da complexidade, que o sociólogo francês Edgar Morin realiza uma análise sobre a questão da Ética e suas implicações. O pensamento completo de Morin sobre este tema encontra-se na obra O método 6: Ética.Porto Alegre, RS: Sulina, 2006.

(Por: Alexandre Mascarenhas – 25.8.2011)

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