Jurgen Moltmann – A Terra redimida pela ecoteologia.

As crises ecológicas destroem as condições vitais da Terra. Precisamos de uma teologia da Terra e de uma nova espiritualidade da criação. Uma nova teologia ecológica pode nos ajudar nisso.

A opinião é do teólogo alemão Jürgen Moltmann, em artigo publicado no jornal dos bispos italianos, Avvenire, 18-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Encontramo-nos hoje no fim da era moderna e no início do futuro ecológico do nosso mundo, se o nosso mundo deve sobreviver. Com isso, entende-se um novo paradigma, em seu nascimento, que liga entre si a cultura humana e a natureza da Terra de uma forma diferente de como ocorreu no paradigma da era moderna.

A era moderna foi determinada pela tomada de poder do ser humano sobre a natureza e as suas forças. Essas conquistas e tomadas de posse da natureza chegaram hoje ao seu limite.

Todos os indícios indicam que o clima da Terra está se alterando drasticamente por obra de influentes comportamentos humanos. As calotas de gelo dos pólos da Terra estão derretendo, o nível da água aumenta, algumas ilhas desaparecem, aumentam os períodos de seca, ampliam-se os desertos e assim por diante.

Nós conhecemos tudo isso, mas não fazemos nada com relação ao que sabemos. A maior parte das pessoas fecha os olhos ou estão como que paralisadas.

Porém, nada favorece tanto as catástrofes quanto o não fazer nada paralisante. Precisamos compreender a natureza de um modo novo e de uma nova imagem de ser humano e, por isso, de uma nova experiência de Deus na nossa cultura. Uma nova teologia ecológica pode nos ajudar nisso.

Segundo as tradições bíblicas, Deus não infundiu seu próprio espírito divino apenas no ser humano, mas em todas as suas criaturas: “Escondes tua face e eles se apavoram, / retiras deles a respiração, e expiram, / voltando a ser pó. / Envias o teu sopro e eles são criados, / e assim renovas a face da terra” (Salmo 104, 29-30). Pode-se deduzir disso: se a imagem e semelhança divinas do ser humano depende do espírito divino que nele habita, então todas as criaturas, nas quais habita o Espírito de Deus, são imagens de Deus e, portanto, devem ser respeitadas.

Em todo caso, os seres humanos fazem parte da natureza da Terra de um modo tão estreito que se encontram na mesma situação não redimida e na esperança comum da redenção. Os seres humanos não serão salvos “desta” terra, mas “com” esta terra, da caducidade e da morte.

Paulo ouviu o “gememos no íntimo, esperando […] a libertação para o nosso corpo” (Rm 8, 23) por parte daqueles que são animados pelo Espírito de Deus. Por isso, Ele também ouviu o “gemido e a expectativa” da criação não humana ao seu redor (Rm 8, 22). Ele estava convencido de que é o próprio Espírito de Deus que faz com que nós e toda a criação gemamos à espera da redenção do destino de morte. O Espírito presente é o princípio da nova criação, na qual não haverá mais a morte, porque ele é o Espírito da ressurreição de Jesus e a presença difundida do Ressuscitado.

A teologia ortodoxa expressou isso com a esperança não só na divinização dos seres humanos, mas também na divinização do cosmos: “Toda a natureza está destinada à glória, da qual os seres humanos terão parte no reino do cumprimento”. Os homens, na sua singularidade, no seu destino e na sua esperança de vida, são uma parte da natureza. Portanto, eles não estão no centro do mundo, mas, para sobreviver, devem se integrar na natureza da Terra e na comunidade das criaturas com as quais vivem.

A arrogância do poder sobre a natureza e a liberdade de fazer dela o que querem não compete a eles, mas lhes compete, sim, uma “humildade cósmica” e uma consideração atenta por tudo o que eles fazem à natureza. Só quando estivermos conscientes da nossa dependência à vida da Terra e da existência de outros seres vivos nos tornaremos, de “divindades soberbas e infelizes” (Lutero), seres humanos.

O verdadeiro saber não é o poder, mas a sabedoria. As novas ciências astrofísicas demonstraram as interações entre os âmbitos inanimados e os animados do nosso planeta Terra. Disso deriva a ideia de que a biosfera da Terra forma com a atmosfera, os oceanos e as planícies um sistema complexo, único no seu gênero, que tem a capacidade de produzir vida e de criar espaços vitais. É a muito discutida teoria de Gaia, de James Lovelock. Apesar do nome poético da deusa grega da Terra, não se pretende com isso fazer uma divinização da Terra. Mas a Terra é concebida como um organismo vivo que produz vida e cria espaços vitais.

Se entendemos a vida em sentido puramente biológico, então a terra não é “viva”, porque não se reproduz. No entanto, deve se dizer que ela é mais do que viva, porque produz vida. Ela não é nem um “organismo”, no sentido em que conhecemos os organismos biológicos. Ela é mais do que um organismo, porque produz organismos. A Terra é um sujeito de tipo particular, incomparável e único. Não é um conglomerado aleatório de matéria e energia, não é nem cega, nem muda. É inteligente, porque produz inteligência.

Em um ponto específico da sua evolução, a Terra começou a sentir, a pensar, a tomar consciência de si mesma e a merecer respeito. Nós, seres humanos, somos criaturas da Terra. Portanto, não estamos diante da Terra como seus sujeitos, mas, na nossa dignidade de seres humanos, somos parte da Terra e membros da comunidade terrena das criaturas. Nós mesmos somos “concriaturas”, juntamente com os outros seres vivos.

Esse sentimento cósmico de comunhão é mais amplo do que todos os âmbitos da natureza que podemos conhecer e dominar. Por isso, hoje é tempo de colocar no centro a santidade da Terra e de nos integrarmos conscientemente à comunidade da Terra. Comecemos a falar sobre um tema particular da teologia cristã, tema que, na reviravolta ecológica para a Terra e as suas condições de vida, torna-se atual hoje: a teologia natural. Embora tradicionalmente se entendia por essa expressão um conhecimento indireto de Deus a partir da natureza, hoje precisamos de um conhecimento indireto da natureza a partir de Deus.

As crises ecológicas destroem as condições vitais da Terra. Para conservá-la apesar das forças destrutivas, precisamos de um “sim” à Terra que supere tais forças e de um invencível amor pela Terra. Há talvez um maior reconhecimento e um amor mais forte do que a fé na presença de Deus na Terra e nas suas condições de vida? Precisamos de uma teologia da Terra e de uma nova espiritualidade da criação.

Ihu online, 19.05.12

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The Corporation ( A Corporação)

O filme The Corporation (A Corporação) é um excelente documentário crítico, que, ao longo de seus 144 minutos de duração, vai revelando os meandros da criminalidade do mundo corporativo contemporâneo. Os autores fazem uma boa análise dos poderes e do funcionamento das grandes corporações como “seres” autônomos, pessoas jurídicas, que agem de acordo com um conjunto bem específico e determinado de regras e motivações, que distam dos princípios que regem as relações entre os mortais comuns. Elas compram, vendem, alugam, acionam judicialmente, capitalizam ganhos, incorporam patrimônio etc, tal como procedem as pessoas físicas no comum do dia a dia, porém, não possuindo um corpo físico bem determinado, e nem alma. A exploração da mão de obra barata no Terceiro Mundo, bem como a destruição do meio ambiente são alguns dos temas explorados. Assim agem unicamente em função da aquisição do lucro máximo, o que transparece claramente nas entrevistas feitas com presidentes de grandes corporações como a Nike, Shell e IBM. Também contribuem para essa análise crítica figuras como Noam Chomsky, Milton Friedman, Michael Moore, Naomi Klein e outros que estão no elenco do filme.

É o filme que sugerimos aos seguidores e leitores de nosso blog. É um esforço que vale á pena!

Ficha técnica completa: http://hellocoolworld.com/files/TheCorporation/completecredits.pdf

Site do Filme: http://www.thecorporation.com

 Veja no Youtube:

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Gustavo Gutiérrez, o pai da teologia da libertação

Certamente todos nós já ouvimos alguma vez falar em Gustavo Gutierrez. Seu nome está ligado à Teologia da Libertação, nascida na América Latina, e que alimentou e continua alimentando a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base, pelo Brasil, pela América Latina e pelo mundo afora.

Leia a entrevista com Gutiérrez, publicada há poucos dias, pelo Instituto Humanitas Unisinos.

Gustavo Gutiérrez, o pai da teologia da libertação

Ele é um dos teólogos mais importantes do século XX. O dominicano peruano explica por que consagrou sua vida ao reencontro de Deus e dos pobres.

A reportagem é de Martine De Sauto, publicada no jornal La Croix, 24-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele avançou um pouco cansado, apoiou na mesa a sua bengala preta que ele nunca abandona, e se sentou. De passagem por Paris, por ocasião do 50º aniversário do Comitê Episcopal França-América Latina (Cefal), Gustavo Gutiérrez, considerado o “pai” da teologia da libertação, já se encontrou com missionários, estudantes e professores do Institut Catholique de Paris, responsáveis pelo Secours Catholique, parceiro do CCFD [Comitê Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento].

Na manhã do dia 24, na sala da casa provincial dos sulpicianos onde ele se hospedava, ele evocou de novo aquela teologia que marcou profundamente a Igreja latino-americana. Falar de si mesmo não é um de seus hábitos. Mas, nessa manhã em que a primavera [europeia] clareava as velhas paredes da sala, esse pequeno homem, simples, amável, aceitava fazer o relato da sua vida. O encontro durou quase três horas. Também poderia ter continuado. Gustavo Gutiérrez não estava mais cansado.

Ele nasceu em Lima, no Peru. Com apenas 12, por causa de uma osteomielite, ficou preso à cama durante vários anos. “Não havia antibióticos. Eu era aluno dos Irmãos Maristas. Tive que abandonar a escola”. Estudava em casa, jogava xadrez, lia. “Meu pai era um grande leitor”, lembra. “Seguramente, ele me influenciou. Dele também herdei o senso de humor, que ele sempre mostrava, apesar das nossas dificuldades”.

Aos 15 anos, descobriu Pascal, que o marcou permanentemente. E, pouco tempo depois, a História de Cristo, de Giovanni Papini, que o tocou profundamente. Interessou-se também por filosofia e psicologia através dos escritos de Karl Jaspers e de Honorio Delgado. O desejo de se tornar padre, que ele tivera no início da doença, o deixara. No entanto, entrou aos 14 anos na Ordem Terceira Franciscana. “A pobreza já estava presente na minha vida de filho de família modesta, marginalizado pela doença, e nas minhas escolhas”, observa.

Aos 18 anos, pôde finalmente ir para a universidade estudar medicina (com o desejo de se tornar psiquiatra) e filosofia. “Membro do movimento universitário católico, eu participava ativamente da vida política da universidade”, lembra. “Foi então que ouvi na minha vida perguntas que questionavam a minha fé. Aos 24 anos, eu escolhi me tornar padre. O bispo de Lima, considerando-me muito velho para o seminário, me mandou para a Europa”.

Em Leuven, aprendeu francês, escreveu uma tese sobre Como Freud chegou à noção de conflito psíquico. Depois, se transferiu para Lyon para estudar teologia. “Era um período difícil na Igreja francesa, mas muito rico”, diz, “que me permitiu encontrar Albert Gelin (cujos trabalhos sobre os ‘Pobres de Javé’ orientaram as minhas pesquisas), Gustave Martelet e dominicanos (como Marie-Dominique Chenu, Christian Duquoc… e também aqueles da minha geração, como Claude Geffré). Muitos anos depois, quando eu tomaria a decisão de entrar na Ordem dos Pregadores, um dos meus amigos de então, padre Edward Schillebeeckx, dominicano flamengo, me escreveria uma carta que começava assim: ‘Finalmente!’”.

Viver em solidariedade com os pobres

Enquanto isso, ordenado sacerdote, Gustavo Gutiérrez voltou ao Peru. Nomeado a uma paróquia do bairro pobre de Rimac, em Lima, e capelão dos movimentos cristãos, ele se dedicou ao seu trabalho pastoral, dando aulas também na universidade católica. Mas já havia um problema que o atormentava: como dizer ao pobre que Deus o ama?

Em maio de 1967, dois anos depois do Concílio, do qual participou, ele abordará essa questão diante dos estudantes da Universidade de Montreal, distinguindo pela primeira vez três dimensões da pobreza. A pobreza real de todos os dias: “Ela não é uma fatalidade”, explica, “mas sim uma injustiça”. A pobreza espiritual: “Sinônimo de infância espiritual, consiste em colocar a própria vida nas mãos de Deus”. A pobreza como compromisso: “Ela leva a viver em solidariedade com os pobres, a lutar com eles contra a pobreza, a anunciar o Evangelho a partir deles”.

Para explicar a ideia, ele se concede um pouco mais de tempo, atento a não pular alguma etapa. “No ano seguinte, eu ainda tinha que dar uma conferência em Chimbote, no Peru. Haviam-me pedido para falar sobre a teologia do desenvolvimento. Expliquei que uma teologia da libertação era mais apropriada”. Essa linguagem teológica, que leva em consideração o sofrimento dos pobres, inspiraria os bispos reunidos em Medellín (Colômbia) para a segunda Conferência do Episcopado Latino-americano (Celam)

Nasce a teologia da libertação

Em maio de 1969, Gustavo Gutiérrez foi para o Brasil, que vivia então as horas mais escuras da ditadura militar. Ali encontrou estudantes, militantes da Ação Católica, padres cujo testemunho enriqueceriam a sua reflexão que desembocou na sua obra fundamental: Teologia da Libertação. “Antes do Concílio”, especifica, “João XXIII havia anunciado: a Igreja é e quer ser a Igreja de todos, e particularmente a Igreja dos pobres”. Os padres conciliares, preocupados com o problema da abertura ao mundo moderno, esqueceram-no um pouco. Na América Latina, essa intuição foi retomada. Os pobres começavam a se fazer sentir. “Muitos de nós víamos neles um sinal dos tempos que era preciso perscrutar, como pede a constituição Gaudium et Spes. Por causa da minha idade, da minha presença no Concílio e em Medellín, eu é que fiz um trabalho de teólogo. Mas poderia ter sido outro”.

A libertação da qual Gustavo Gutiérrez fala não é um programa político. Ela se situa em três níveis que se cruzam. O nível econômico: é preciso combater as causas das situações injustas. O nível do ser humano: não basta mudar as estruturas, é preciso mudar o ser humano. O nível mais profundo, teologal: é preciso se libertar do pecado, que é a recusa de amar a Deus e ao próximo.

Quanto à teologia, ela é o meio para fazem com que o compromisso com os pobres seja uma tarefa evangélica de libertação, uma resposta aos desafios que a pobreza coloca diante da linguagem sobre Deus. Essa teologia se revela contagiosa. Nos Estados Unidos, na minoria negra, na África, na Ásia, teologias desses “terceiros mundos” se despertam, impulsionadas por um novo fôlego.

Uma vida pelos pobres

Mas essa teologia também se choca com oposições. As mais violentas vêm dos poderes econômicos, políticos e militares da América Latina, assim como nos EUA. Mas também vêm de católicos que a acusam de fazer referência, ao analisar certos aspectos da pobreza, à teoria da dependência, que usava noções provenientes da análise marxistas.

Na conferência do Celam em Puebla (1979), que confirma a visão de Medellín e fala da “opção preferencial pelos pobres”, manifestam-se resistências também dentro da Igreja latino-americana. “Medellín”, reconhece Gustavo Gutiérrez, “foi uma voz muito profética que provocou compromisso e resistências. Mas quando uma Igreja é capaz de ter entre os seus membros pessoas que dão a sua vida pelos pobres, como Dom Oscar Romero e muitos outros, há algo de importante que acontece nessa Igreja”.

A teologia da libertação também sofreria por causa das posições do Vaticano. Em 1984, ela foi severamente criticada pela Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Ratzinger era então prefeito. Gustavo Gutiérrez, assim como outros, teria que dar explicações. Em 2004, ao término de um processo de “diálogo” de 20 anos, o mestre da Ordem dos Dominicanos recebeu uma carta em que o cardeal Ratzinger “rende graças ao Altíssimo pela satisfatória conclusão desse caminho de esclarecimento e aprofundamento”.

“Durante aqueles anos, eu podia, mesmo assim, pregar o Evangelho na minha paróquia”, conta Gustavo Gutiérrez, que se dedicava naquela época às suas pesquisas sobre Bartolomeu de Las Casas – “um gênio espiritual”, diz, “que soube ver no índio o pobre segundo o evangelho” –, continuando a sua obra teológica e acompanhando de perto “a nova presença das mulheres, depois dos índios, na cena da história, do pensamento, da que estavam ausentes”.

Teologia como poesia

Hoje, ele reside no convento dos dominicanos de Lima. Divide o seu tempo entre o seu trabalho pastoral, os retiros que prega, os cursos de teologia na Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA) e no Studium Dominicano de Lille (França). Mas, incansavelmente, ele continua a sua obra teológica, lendo muito, até mesmo poetas. “A poesia é a melhor linguagem do amor”, confidencia. “Fazer teologia é também escrever uma carta de amor a Deus, à Igreja que eu sirvo e ao povo a que eu pertenço”.

Atualmente, ele está terminando um livro dedicado à opção preferencial pelos pobres. “A teologia da libertação pode até desaparecer”, afirma, “mas, se restar a preferência pelos pobres, nós teremos vencido algo importante, profundamente ligado à Revelação”. Depois, acrescenta, com uma expressão de clara gravidade no rosto: “A pobreza e as suas consequências são sempre o grande desafio do nosso tempo na América Latina e em muitos outros lugares do mundo. Praticar a justiça, trabalhar pela libertação dos seres humanos é falar de Deus. É um ato de evangelização”.

Fonte: Ihu online, 04.04.2012

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Hora do Planeta 2012 convoca brasileiros a mostrarem sua preocupação com o meio ambiente e refletirem sobre os efeitos de suas ações no mundo

Pelo quarto ano consecutivo, o WWF-Brasil convoca a população brasileira a participar do movimento mundial Hora do Planeta, que levou 1 bilhão de pessoas a apagarem as luzes em todo o mundo, em 2011. A mobilização tem como objetivo a reflexão sobre o aquecimento global e os problemas ambientais que a humanidade enfrenta. A campanha conta com patrocínio do Pão de Açúcar e da TIM e adesão de diversas companhias e municípios. Cidades e empresas interessadas em apoiar a iniciativa podem se cadastrar pelo www.horadoplaneta.org.br. Continue lendo

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Revista Memória e Caminhada – Chamada para apresentação de Artigos

Prezad@s,

A Revista semestral Memória e Caminhada – Estudos sobre as comunidades eclesiais de base (CEBs), religiosidade e os movimentos sociais e populares (ISSN 1806-3802), publicada pelo Portal de Periódicos da Universidade Católica de Brasília – UCB, está recebendo artigos e resenhas para o seu próximo número que irá ao ar no mês de Julho de 2012.

O tema da próxima edição é o seguinte:

“CEBs: romeiras do reino no campo e na cidade”.

O que se propõe é uma análise dos valores e conflitos desta inusitada relação entre cidade e campo, sob os mais diversos ângulos ou realidades que desafiam o futuro das CEBs.

Sugestão de Subtemas ou recortes de reflexão na esfera do Tema Geral:

  • Povos da floresta/ da terra e a questão da urbanização: choques, conflitos, luta, resistência, desafios – relação com a proposta das CEBs
  • Questão ambiental – Mãe-Terra/sustentabilidade… – desafios, perspectivas
  • Êxodo rural/expulsão do campo e urbanização: problemas sociais/culturais…
  • Religiosidade popular e CEBs.

Os trabalhos devem ser enviados para análise para o seguinte e-mail:

revistamc@ucb.br – até o prazo de 30/04/2012.

Para maiores informações sobre as normas da Revista, bem como sobre o formato dos trabalhos, deve-se acessar o link abaixo – Normas Editoriais. Para facilitar a divulgação, o texto desta Chamada de Artigos está, também, lincado abaixo.

Normas Editoriais

Edital de chamada

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“El Orden Criminal del Mundo” – A Ordem Criminosa do Mundo

É um cxcelente documentário exibido pela TVE espanhola, que apresenta  a visão crítica de dois grandes pensadores humanistas contemporâneos sobre o mundo da modernidade atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Seus depoimentos apresentam um caráter de certa forma profético, pois que este documentário foi produzido antes da atual crise que está atingindo o velho continente, particularmente as populações dos países periféricos, como Portugal, Espanha, Grécia entre outros.

O documentário enfoca com muita clareza o cinismo assassino que dia após dia vai enriquecendo uma pequena oligarquia mundial às custas da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo. Poucos ricos cada vez mais ricos em detrimento de muitos pobres cada vez mais pobres, condenados à exclusão e à invisibilidade.  Concentração de poder de forma cada vez mais autoritária em poucas mãos, restringindo e controlando cada vez mais os direitos das pessoas. Corporações sempre mais poderosas controlando os governos de praticamente todo o planeta, e com o generoso apoio de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial, alinhadas na defesa de seus interesses.

Convidamos para ver o documentário, de aproximadamente 45 minutos, legendado em português, fazendo a sua análise a respeito.  E quem sabe o recomende a seus amigos e conhecidos…

(R.Thiel)

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8 de Março

Muitas são as formas utilizadas para prestar homenagens, pela passagem do Dia Internacional da Mulher, amanhã.

Inúmeros seminários, congressos, simpósios, celebrações, concentrações, caminhadas, passeatas, debates, manifestações de matizes distintos, buscando fortalecer a luta pela dignidade da mulher, pelo respeito à sua dignidade de companheira lado a lado, e não abaixo nem acima. Ainda persistem tantas manifestações de dominação masculina de homens e também de mulheres, de imposição, de opressão, de intolerância, de incompreensão, de diminuição, de silenciamento, de eliminação, e tantas outras formas de violência que destroem e negam o grande desejo do Criador: “Criou-os a sua imagem e semelhança. E criou-os homem e mulher”.

Tanta coragem que é necessária para denunciar, protestar, exigir o direito de decidir sobre si, sobre sua vontade, seu corpo e sua sexualidade, sobre sua visibilidade e autonomia! Quanta coragem reunir no caminho do “tornar-se mulher”, como diz Simone de Beauvoir!

Parabéns pela insistência e persistência nessa luta, para tornar este mundo mais humano, de mulheres e homens que nâo se aniquilam e nem se inimizam, mas se constroem e reconstroem o tempo todo, favorecendo e fortalecendo a livre circulação da seiva vital do amor compartilhado!

Completando a homenagem, um texto da pastora Nancy Cardoso, publicado no boletim notícias do CEBI.

(R.Thiel)

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No dia 8: luta e indignação

Nancy Cardoso Cebi – 06/março/12 (Nancy Cardoso Pereira é pastora metodista e colaboradora do CEBI. É autora de À procura da Moeda perdida e de Remover pedras, plantar roseiras, fazer doces)


Dia de luta dos movimentos internacionalistas de mulheres, o 8 de março nunca foi um dia fácil de engolir! Entre o fim de fevereiro e o começo de março as mulheres socialistas dos inícios de 1900 na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos celebravam seu dia de luta a partir de acontecimentos importantes: greves, manifestações, enfrentamentos!

Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

O que elas queriam? O que nós queremos?

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Sul do Amazonas – o reinado da pistolagem!

A grilagem de terra corre solta! A derrubada ilegal e roubo de madeira não tem freio! Além de outras agressões à natureza na região. Na região de Lábrea, das mais conflitivas no sul do Amazonas, funcionários do INCRA são ameaçados e impedidos de trabalhar, lideranças populares e sindicais que lutam em defesa da terra, da floresta, estão na lista dos “marcados para morrer”, e mortas com frequência, sem que ninguém tome medidas eficazes para proteger a vida dos que têm os dias contados, por força da “lei do gatilho”, que continua imperando na região. Onde está o Estado para garantir o direito de viver? Um depoimento…

“Em junho de 2010, durante vistoria no assentamento Gedeão, sul do Amazonas, a líder Nilcilene Miguel de Lima foi agredida na frente de uma funcionária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Isso aconteceu enquanto ela mostrava um desmatamento dentro do assentamento. Surpreendida por um pistoleiro, Nilcilene levou socos, chutes e tapas no ouvido que lhe tiraram parte da audição. A funcionária do Incra tentou intervir e levou um soco no peito. As duas correram para o carro e fugiram. Nilcilene foi para a delegacia mais próxima fazer boletim de ocorrência e de corpo de delito. A funcionária do Incra voltou para Manaus e pediu transferência. O agressor e o desmatador nunca foram punidos”.

Veja o apelo veemente de Nilcilene, que sabe de seu destino, o mesmo de dezenas/centenas de lideranças comunitárias e defensoras da floresta. Até quando esse tipo de criminosos continuarão reinando impunes?  Quando serão tomadas providências enérgicas e efetivas? Quando for tarde demais? Quem vai fazê-lo? O que nós podemos fazer de imediato para ajudar a salvar a vida de Nilcilene (Lábrea – Amazonas), de Laísa (irmã de Maria do Espírito Santo, e cunhada de José Cláudio, casal de extrativistas assassinados em 2011, em Nova Ipixuna – Pará)?

Seguem um vídeo e um texto para ativar a reflexão.

(R.Thiel)

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Reportagem de Ana Aranha, de A PÚBLICA – AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO.

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Sul do Amazonas: Nilcilene, com escolta e colete à prova de balas: ‘eles vão me matar’

Publicado em março 2, 2012 por HC em Eco Debate

Liderança na Amazônia ganha proteção da Força Nacional, mas vive acuada por ameaças. À sua volta, madeireiros e grileiros seguem livres.

- Nesse rio aqui também apareceu um morto, levou 13 dias para virem retirar o corpo. A gente espantava os urubus com uma palha.

Com colete à prova de balas, chacoalhando no banco de trás da viatura da Força Nacional de Segurança, essa é a quarta vez que a produtora e líder rural Nilcilene Miguel de Lima aponta lugares onde encontrou corpos furados a bala nas estradas do sul de Lábrea, município do Amazonas. “Já teve vez que não apareceu ninguém para buscar. O povo enterrou por aí mesmo”.

É fim de tarde. A viatura tem que chegar na casa de Nilcilene antes do escurecer, onde dois policias passam a noite em vigília. Alguns quilômetros antes do destino, ela se agita ao ver uma picape azul no sentido oposto da estrada: Continue lendo

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A passagem de Deus pela América Latina.

Jon Sobrino, teólogo espanhol, vivendo há muitos anos na América Central, mais precisamente em El Salvador, neste artigo brinda os leitores com uma valiosa reflexão sobre a passagem de Deus pela América Latina, com destaque para os grandes momentos desde Medellin, passando por Puebla até o caminhar das comunidades (igrejas) nos dias atuais. “Como será a passagem de Deus pela América Latina e com quem passará?” É uma das questões que Sobrino pontua no artigo que segue. (R.Thiel)

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Artigo de Jon Sobrino

“Como será a passagem de Deus pela América Latina e com quem passará, está por se ver, e em suma é coisa de Deus. Mas é coisa nossa desejá-la, trabalhar para isso, e aprender de como aconteceu no passado em torno de Medellín”, escreve Jon Sobrino, em artigo publicado no sítio espanhol Eclesalia, 23-02-2012. A tradução é do Cepat.

Jon Sobrino é teólogo espanhol radicado em El Salvador, sobrevivente da chacina que, em novembro de 1989, dizimou a vida de seis jesuítas e duas funcionárias da Universidade Centro-Americana (UCA). É autor de vários livros, entre os quais, Fora dos pobres não há salvação (Paulinas, 2008), Cristologia a partir da América Latina (Vozes, 1983); Jesus, o Libertador: a história de Jesus de Nazaré (Vozes, 1994).

Eis o artigo.

Os dez anos que se passaram entre Medellín (1968) e Puebla (1979) foram únicos na época moderna da Igreja católica na América Latina. Depois começou um declive ao qual Aparecida (2007) quis colocar um freio, embora até agora reste muito a ser feito.

Ao fazer este juízo, não nos fixamos na Igreja assim como é analisada pelos sociólogos, mas na “passagem de Deus”. Sem dúvida, é mais difícil calibrar, mas toca a dimensão mais profunda da Igreja, e a serviço de que deve estar. Em suma, qual a sua contribuição para os seres humanos e para o mundo como um todo. E, obviamente, é preciso se perguntar “que Deus” é que passa pela história em um dado momento. Continue lendo

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Milton Schwantes: Um profeta que nos deixa, mas continua sempre conosco

O Brasil, o CEBI, as Comunidades Eclesiais de Base, o Ecumenismo… perdem um grande irmão de caminhada. Faleceu no dia de ontem, 1° de março, o biblista Milton Schwantes um grande companheiro da causa do Reino de Deus, defensor do direito dos pobres. É uma das principais referências do método de leitura popular da Bíblia na América Latina e autor de diversos livros, alguns traduzidos em espanhol, alemão e inglês. Sua tese de doutorado: A Teologia e o Direito dos Pobres, publicada em alemão.

(Renato Thiel) Continue lendo

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